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A democracia é o pior dos sistemas, à exceção de todos os outros

Dizer que os políticos são todos iguais, fomentar a divisão entre o “eles” e o “nós”, ter e promover uma aversão à política é a receita da extrema-direita populista. Exemplos não faltam, e o pior é que, em todos os quadrantes, começa a florescer este tipo de ações para manipular os sentimentos do eleitorado na conquista fácil do voto. 

Seria bom que todos percebessem que os políticos mais não são que o espelho da sociedade. 

Pensei em escrever um apelo ao voto, não num determinado sentido, mas no âmbito do combate à abstenção. Mudei de ideias. Prefiro que os desinteressados, os desinformados, os leitores assíduos de Fake News e patológicos adeptos da sua partilha, os demagógicos e populistas, os saudosistas do antigo regime e outros que tais, se abstenham de influenciar o meu futuro. 

A abstenção é um problema crescente nas democracias em geral, mas discordo de soluções simplistas que proliferam por aí. 

Discordo frontalmente das teorias de associar “cadeiras vazias” à abstenção. Quanto muito seria com os votos em branco, o que por si já seria perigoso para a democracia. Por vários motivos, mas desde logo porque a redução de lugares só favorece os 2 maiores partidos, uma vez que esmaga os pequenos e a pluralidade democrática, além de castigar os que votam, que podem perder quem represente a sua região. 

Mas dar valor à abstenção? Premiar a apatia, o desinteresse e a falta de cidadania? Que devia ser combatida pelos pais (que hoje ensinam aos filhos que ser político é pior do que ter cadastro), na escola (desde o jardim de infância), nos média (que para sobreviver procuram o sensacionalismo e o “clickbait”), nas redes sociais (combatendo a desinformação) e obviamente pela classe política. Pela classe política com o seu exemplo, mas também na pedagogia para fazer ver a política como a arte do compromisso, onde aquilo que se defende pode ter cedências, ou até mesmo deixar de ser prioridade face aos condicionalismos atuais ou para atingir um bem maior. Que ao contrário do que muitos nos querem fazer crer, nem tudo é preto e branco, muito menos linear, porque como qualquer pessoa com o mínimo de experiência de vida sabe, o mundo é um acumular de cinzentos, cheio de curvas com altos e baixos. 

Acrescento a necessidade de aumentar a comodidade do ato de votar, adaptando-o à realidade dos nossos dias.

A abstenção tem de ser combatida e não fazer dela uma utilidade, porque essa é a estratégia dos populistas. 

Quem não se identifica com nada, pode votar no mal menor ou em branco, quem está revoltado até o pode demonstrar no voto nulo (com desenhos ou comentários impróprios).

Quem se abstém sem justificação, demonstra desinteresse pelo futuro, falta de cidadania, desrespeito pela democracia que a tantos custou e ignorância política. Ao contrário do que alguns pensam, cada vota conta e exemplos não faltam.

Deixo outra sugestão: porque é que aqueles que não se identificam com nada, que nem se dão ao trabalho de votar em branco, não criam um movimento para ir a eleições? Mudar o sistema, em vez de ficar na apatia do sofá ou na maledicência no Facebook.

O melhor remédio para melhorar a nossa democracia é com população participativa, bem informada e formada. 

Reconheço que estou a ser politicamente incorreto, mas quem não acha importante ir votar, prefiro que não o faça, não tendo a capacidade de influenciar o futuro dos que se interessam. Não desejo votos que não sejam esclarecidos, informados e refletidos.

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