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O problema das boas notícias

Nas últimas semanas fomos brindados com boas notícias para a ilha do Faial. No entanto, segundo alguns artigos de opinião, parece que as mesmas não passam de “uma afronta” ou de “ações de propagada inútil”.

Refiro-me a 2 situações concretas:

1- O destaque do Faial no Orçamento de Estado 2019, com a inclusão de duas importantes revindicações dos Faialenses. Refiro-me à “instalação e operacionalização do Observatório do Atlântico na ilha do Faial” e à promoção “dos procedimentos necessários para a viabilização da antecipação da ampliação da pista do Aeroporto da Horta”.

2- A realização da visita estatutária com todo o Governo Regional à ilha do Faial onde foi feito um ponto de situação, ouvidas as forças vivas e cidadãos, e onde, como é normal, foram apresentados os investimentos concluídos, o ponto de situação dos que estão em andamento e a informação dos novos projetos a desenvolver.

Na minha modesta opinião, sob qualquer prisma, estas são boas notícias, o que não quer dizer, obviamente, que satisfaçam todos os anseios dos Faialenses. E no capítulo do que falta, o meu destaque vai para medidas concretas para a melhoria das acessibilidades aéreas na época alta.

O que seria expectável era que se reconhecesse o bom que foi e está a ser realizado, relembrando o que ainda falta. Mas como alguém já referiu, o mais difícil de eliminar na mente é o hábito. E uma ideia certa e segura é um “hábito” para muitos, por mais evidências que sejam apresentadas.

Senão vejamos:

1 - Não só a ampliação da pista do aeroporto está claramente na agenda política ao mais alto nível (com o apoio de todos os partidos), como está em óbvio andamento, isto quando, há bem pouco tempo tivemos um ex-Primeiro Ministro que veio ao Faial dizer NÃO na cara dos Faialenses. E aqueles que agora falam em afronta, nessa altura não se indignaram.

Não tendo data e verba ainda associada, parece-me evidente que, no pior dos cenários, será, no mínimo, o aumento das RESA (Runway End Safety Area), da responsabilidade da empresa concessionária ANA/VINCI (podendo e devendo ser mais do que isso), uma das medidas exigidas pelos Faialenses.

2. Pelos vistos não é boa notícia e não passa de “propaganda inútil” a conclusão de 2 investimentos de 7,5 milhões euros, como é o caso do novo Matadouro do Faial e as obras de remodelação e ampliação do Castelinho/Lar das Criancinhas, que juntamente com o investimento já realizado permitiu duplicar no Faial o número de vagas na valência de creche e aumentar consideravelmente as vagas na valência ATL.

Não é boa notícia que todo o Governo passe a ter uma política de maior proximidade com os Faialenses, mesmo quando não se oiça tudo o que se pretende.

Não é boa notícia ficar a saber que a requalificação do Entreposto do Frigorífico da Horta já foi aprovada, com um valor estimado de 4 milhões de euros ou que foi definido e apresentado o novo projeto para a requalificação do Porto da Horta, este com largo consenso e que aumenta o valor de 14 para 17,5 milhões euros.

Não é boa notícia ficar a saber que, no âmbito do Porto da Horta, foi também apresentada a construção do novo edifício de apoio destinado às atividades marítimo-turísticas ou que está prevista a entrada em funcionamento da Escola do Mar no ano letivo 2019/2020.

Também pelos vistos não é boa notícia a apresentação do projeto de construção do novo Quartel de Bombeiros do Faial. Se a tudo isto associarmos a remodelação do Hospital da Horta e a construção do novo Centro de Saúde, que apenas aguarda o visto do Tribunal de Contas, verificamos que não é definitivamente boa notícia ficar a saber que os investimentos anunciados significam mais de 40 milhões euros na nossa ilha.

Que venham mais notícias destas para a ilha do Faial.

(artigo publico na edição de 16/11/2018 do Tribuna das Ilhas )

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