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Estão os transportes aéreos a destruir o turismo no Faial?

O título é uma pergunta retórica que tenta resumir aquela que é uma afirmação convicta de muitos Faialenses. 
Uma afirmação compreensível, face ao que tem acontecido no transporte aéreo, mas que peca por excesso, se tivermos em consideração os dados associados ao turismo. 

Se é verdade que a Azores Airlines passa um período conturbado, em que o serviço prestado tem sido do pior que temos visto por estes lados, com dificuldade na marcação de voos, sucessivos atrasos e vários cancelamentos, também o é que, nunca como agora, tivemos tantos passageiros desembarcados, dormidas e proveitos nos estabelecimentos de turismo da nossa ilha. Resumindo, o turismo no Faial está a crescer, mas o transporte aéreo não está a potenciar aquilo que poderia ser um crescimento mais acentuado, causando incómodo e ansiedade nas viagens, sobretudo dos residentes, contribuindo para que no futuro possa até ser responsável por um desgaste do destino, se nada for feito em contrário. 

A ilha do Faial foi a que apresentou o 3º maior crescimento de passageiros desembarcados no mês de Maio (+7,3%), atingindo os 11050. 
No acumular dos últimos 3 meses, o Faial foi a ilha que teve o maior crescimento homólogo, com mais 11,1% passageiros desembarcados. 
Quando ao acumulado dos últimos 6 meses, a ilha que obteve o maior crescimento homólogo foi igualmente o Faial com +10,8%, passando dos 40349 para os 44696 passageiros desembarcados. 
Fonte:SREA
No que toca às dormidas, os dados publicados este mês reportam até Abril e aí também é visível o aumento verificado no Faial. 
No mês de Abril as dormidas aumentaram 9% no Faial, já no acumulado de Janeiro a Abril, somos a 5ª ilha com maior variação homóloga positiva, aumentando 11,3% o número de dormidas, atingindo as 29994. Um crescimento alicerçado no alojamento local, que aumentou 50,2% no período em causa. 
Fonte:SREA
Se a comparação for com o tempo da TAP (2014), mesmo com mais voos disponíveis, os números atuais são incomparavelmente melhores a todos os níveis. A título de exemplo, passamos de 107 985 dormidas em 2014 para 178 628 em 2018, sendo óbvio que em 2019 iremos ultrapassar esse resultado. O mesmo nos passageiros desembarcados que passaram de 85215 para 115879 em igual período. 
Fonte:SREA
Assim, podemos concluir que: 
- O turismo no Faial está a aumentar e todos os dados assim o confirmam. Poderíamos estar melhores e sobretudo com menos sobressaltos para residentes e quem nos visita. 

- O Grupo SATA, que presta um papel fundamental nos Açores, está a passar um período de grande dificuldade, demonstrando incapacidade em prestar um serviço com a periodicidade e qualidade desejada nos períodos de maior procura, principalmente nos voos da Azores Airlines para o Faial e Pico, as ilhas mais prejudicadas, pois estão dependentes nas viagens para o exterior de uma única companhia. 

Face ao exposto, parece-me óbvio que, apesar de importante, a prioridade não está no futuro aumento da pista (necessária a médio/longo prazo), mas sim na alteração urgente das obrigações de serviço público para o Faial, de modo a atrair mais operadores, e mais voos, melhorando o serviço prestado. De preferência uma companhia como a TAP, que para além do conhecimento da rota e pista, possui aviões e tripulação em número suficiente para prestar um serviço com maior regularidade e qualidade. 

Se o aumento no turismo, verificado na época baixa é extremamente positivo, é também importante que o aumento na época alta seja feito de maneira gradual e na aposta num turismo sustentável, uma vez que, a curto prazo, penso que o Faial não tem capacidade, recursos humanos, nem atividades para receber muitos mais turistas no pico da procura. Correndo-se o risco de trocar as más experiencias nas acessibilidades por más experiências no destino. 

Tendo em conta as especificidades do Triângulo, será sempre preferível um turismo de qualidade em vez de quantidade, para não corremos o risco de degradar aquilo que nos distingue como um destino singular.

(artigo publicado na edição de 21-06-2019 do Tribuna das Ilhas)

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