O que se passa hoje em Portugal não é um fenómeno isolado. É parte de uma tendência visível em várias democracias ocidentais, onde a extrema direita cresce alimentada pelo medo, pela desinformação, pelo culto da personalidade e pela normalização do discurso de ódio. O caso de André Ventura deve ser lido neste contexto, sem ingenuidade ou tentativas de relativizar. Quando 85,7% da desinformação verificada na última campanha tem origem num único candidato, percebemos que já não estamos perante excessos pontuais. Estamos perante uma estratégia política deliberada em que a desinformação se torna instrumento central de mobilização. Se associarmos isso a políticas de imigração com falhas, a degradação dos serviços públicos ou o distanciamento progressivo entre elites políticas e cidadãos temos o terreno fértil para este discurso ganhar tração. A extrema direita prospera quando transforma problemas complexos em respostas e culpados simples: sejam eles imigrantes, minorias, jornalistas o...
Para arquivar e tornar acessível os meus artigos de opinião na imprensa. Periodicidade: quinzenal (pelo menos tento!)