Num tempo em que o mundo acelera perigosamente para os braços de um conservadorismo duro, isolacionista e nacionalista de extrema direita, a perda do Papa Francisco é mais do que a partida de um líder espiritual — é o silêncio que se abate sobre uma das vozes mais lúcidas, humanas e progressistas da nossa era. Jorge Mario Bergoglio foi, no seio de uma Igreja tantas vezes distante da realidade dos que mais sofrem, uma revolução serena. Um Papa com falhas, como todos os outros, mas que teve a coragem rara de falar das feridas do mundo com bondade e verdade. Ergueu-se contra a cultura da indiferença, defendeu os pobres como prioridade evangélica, acolheu os migrantes como irmãos, ouviu os gritos das minorias e desafiou os poderosos — dentro e fora da Igreja — com a firmeza dos humildes. Denunciou a indiferença global, falou do ambiente e das alterações climáticas, questionou os excessos do capitalismo, pediu perdão pelos crimes da Igreja, desafiou a própria Cúria e estendeu a mão aos úl...
Para arquivar e tornar acessível os meus artigos de opinião na imprensa. Periodicidade: quinzenal (pelo menos tento!)