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A mostrar mensagens com a etiqueta Rui Rio

Um novo ciclo

As eleições legislativas trouxeram um novo ciclo político ao nosso País.  Se o alinhamento final foi para mim o expectável, creio que a maioria absoluta deixou todos surpreendidos.   Já tínhamos percebido que CDU e BE seriam fortemente penalizados por um chumbo do orçamento que foi criticado por cerca de 2/3 da população e cuja culpa lhes era atribuída. Esperada era também a subida do Chega e da IL, muita à custa da erosão do CDS e de uma oposição suave de Rui Rio, constantemente preocupado com lutas internas e a piscar o olho ao eleitorado do centro-esquerda. Apesar do desgaste de 6 anos, as melhorias económicas e sociais dos últimos anos, e a resposta à pandemia, eram sinais fortes que o PS seria o partido mais votado. Restava saber se seria suficiente os votos à esquerda para formar governo, ou se, pelo contrário, a queda de CDU e BE, associada ao forte crescimento da extrema direita, acabariam por colocar o 2º partido mais votado no poder.   E julgo que foi essa...

O Rei vai nu

O resultado das Legislativas foi aquilo que se previa. Já todas as análises foram feitas e em relação às mesmas, apenas saliento que, numa democracia representativa parlamentar, o relevante é o número de deputados eleitos e a maioria que daí advém. Assim, constatamos que face às últimas eleições, o PS ganhou +20 deputados e o PAN +3. O PSD perdeu 12, o CDS perdeu 13, a CDU perdeu 5 e o BE manteve o mesmo número. Faltam nestas contas os 3 novos deputados do IL, Livre e Chega, que não estavam representados anteriormente, bem como os 4 deputados a eleger pelos emigrantes. Destaque também para a abstenção, sobre a qual já escrevi no artigo anterior, e o facto de o PS ter mais deputados (106) que toda a direita (PSD, CDS, IL e Chega com 84).  Se o partido que formaria governo já era há muito conhecido, o mais importante será perceber que tipo de apoio parlamentar dai advém. Sendo essa ainda uma incógnita, vou cingir-me, por agora, a 2 outros aspetos que achei relevantes:  ...

Um dia negro para os Açores

O infeliz episódio de não existência de um candidato dos Açores na lista do PSD às eleições europeias foi uma desconsideração a todos os Açorianos, por mais diferentes que sejam as suas opiniões ideológicas. Um episódio negro que irá ficar perpetuado na vida política Açoriana e que desejamos que não seja repetido por nenhum partido com a dimensão e importância do PSD a nível nacional e em particular na autonomia regional.  Mais do que uma vergonha para o PSD-Açores de Alexandre Gaudêncio e para Mota Amaral é uma ofensa à Região Autónoma dos Açores, perpetuado pelo PSD de Rui Rio. Pela primeira vez em 30 anos os Açores não vão ter um candidato pelo PSD ao Parlamento Europeu, restando apenas um único deputado em lugar elegível, do partido que suporta o Governo.  Fica assim claro a visão centralista e anti-Açores do atual PSD. Fica assim claro o peso político do PSD-Açores de Alexandre Gaudêncio, que cada vez mais tende para zero e que é visto como persona non grat...

Para além do óbvio

Na maioria das vezes não somos sensatos o suficiente para vislumbrar o que está para além do óbvio. O tempo mediático da informação, onde os media sociais e a sua interação dominam a atualidade informativa, pouco tempo deixa para a reflexão, o que porventura adensa a necessidade para conclusões imediatistas.  Cingimo-nos a dois acontecimentos mediáticos recentes, de onde proliferaram títulos, partilhas e comentários incisivos.  1 – O Presidente da República decidiu fazer um telefonema na estreia de um programa de televisão da mais famosa (e bem paga) apresentadora da TV portuguesa, com o objetivo aparente de desejar-lhe boa sorte. Um tema apetecível para os media sedentos de visualizações que obviamente “viralizou”.  O ato é sem dúvida de um populismo sem precedentes, mas arrisco a dizer que porventura até é necessário (para o País e obviamente para o próprio) ou não fosse Marcelo Rebelo Sousa uma mente que respira estratégia em cada passo que dá.  ...

Um novo ciclo no PSD-Açores?

Em fevereiro do ano passado teci algumas considerações sobre o congresso do PSD-Açores, realizado após mais uma derrota eleitoral do seu líder, Duarte Freitas. Escrevi então que “ Ficou claro em algumas intervenções e na maneira fria com que foi recebido, que Duarte Freitas não convence nem empolga verdadeiramente o partido. (…) A pergunta que fica no ar é: Se Duarte Freitas não consegue convencer categoricamente o partido, vai conseguir convencer o eleitorado Açoriano? Fica-se com a impressão que é o líder possível e não o desejado. O líder para a travesseia do deserto que ninguém quer neste momento fazer. Mas à primeira miragem de um oásis, estou certo que outras figuras irão aparecer, como José Bolieiro ou Alexandre Gaudêncio.”  Apesar de na altura ter deixado claro que não se demitia do cargo, não era difícil perceber que tal estratégia não teria futuro. Se o acumular de 5 derrotas e a insatisfação da velha guarda do partido não foi suficiente para o persuadir, a ch...