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É TEMPO DOS FAIALENSES LEVAREM A SÉRIO A COVID-19

Temos vivenciado uma anestesia geral pelo Faial, ancorada numa falsa sensação de segurança, enquanto assistimos a um escalar sem precedentes de casos no nosso País e por todo o lado. Talvez desconhecendo o quão fácil é ficarmos com fortes limitações na capacidade de resposta a doentes COVID e não COVID. Talvez esquecendo as nossas especificidades arquipelágicas e de isolamento no meio do Atlântico. Talvez esquecendo as características de propagação do vírus. A verdade é que a situação mudou drasticamente depois do Natal e não podemos viver isolados. É preciso ter sempre em mente a vinda constante e necessária de pessoas por diversos motivos, desde profissionais, familiares, bem como a saída de residentes por motivos de saúde, situações essas em que acabamos sempre por estar expostos. Acresce o facto de estarmos no momento mais crítico da pandemia e com o encerramento das aulas no Continente, muitos estudantes estão a regressar. Com o confinamento no Continente e obrigação de teletrabal
Mensagens recentes

Igualdade e (in)Justiça Social

A um novo Governo é preciso dar o respetivo tempo para avaliar o resultado das suas políticas, mas podemos opinar construtivamente sobre as suas propostas. Não existindo ainda um Plano e Orçamento, só nos podemos debruçar sobre o Programa do Governo e a sua Orgânica, ou seja, a sua visão de futuro. Destaco 4 pontos que ficaram na memória.  1- Redução das passagens inter-ilhas.  O Secretário dos Transportes veio confirmar a aplicação de uma tarifa de 60€ para viagens inter-ilhas. Esta é daquelas medidas que qualquer Açoriano gosta de ouvir. Afirmou que “"É possível menor preço de viagens inter-ilhas sem agravar as contas da SATA" e explicou com palavras caras e vagas como seria possível. Traduzo para o Açoriano comum compreender:  "É possível menor preço nas viagens sem agravar as contas da SATA", basta colocar mais dinheiro dos contribuintes na transportadora como fonte de receita, reduzir a despesa com os trabalhadores/salários e reduzir as rotas/voos, nomeadamente

ALÉM DO ÓBVIO

Passado 1 mês das eleições temos um governo que finalmente tomou posse. Um governo que é o maior da nossa história democrática e um dos mais partidários de sempre. O que não deixa de ser curioso para quem defendia a despartidarização e redução de cargos.  Mas mais do que a mudança de governo, que dá vida à democracia, o que causou fortes ondas de choque no nosso País, foi o crucial apoio do Chega, consubstanciado pela legitimação feita pelo PSD um partido de extrema-direita populista.   Bem sei que alguns tendem a desvalorizar esta situação, mas quem assim procede claramente não consegue ver para além do óbvio.  Felizmente que destacados militantes do PSD e CDS, bem como proeminentes figuras de direita, quiseram delinear uma inequívoca separação do que se passou nos Açores. Felizmente que militantes da direção do PSD sentiram a necessidade de referir na comunicação social que o Chega é um partido xenófobo, racista e extremista, entre muitas outras coisas a que estão associados.  Vamos

Beijo de Poder Vs. Beijo de Morte

Quero começar por desejar votos de felicidade ao próximo Presidente do Governo dos Açores, José Bolieiro, na difícil tarefa que tem pela frente. E deixar claro, para os mais distraídos, que sou assumidamente de esquerda. Ideologicamente é com o maior partido deste campo político que mais me identifico. Não sou militante de nenhum partido nem nunca participei em qualquer lista, cargo político ou de nomeação. Aprecio, debato e comento política em diversos blogues e redes sociais há 2 décadas e neste semanário nos últimos 4 anos. Não creio que a solução encontrada seja a melhor e julgo que para a maioria dos eleitores também não a é, tanto os que votaram PS, como PSD ou na maioria dos outros partidos.  Reconheço toda a legitimidade democrática na formação do novo governo, mesmo não tendo sido apresentada essa possibilidade ao eleitorado, e pelo contrário, a mesma foi por diversos intervenientes posta de parte, ao contrário do que se viu em 2015.  Discordo com a forma de ter sido investido

Legislativas 2020 – Um mar de incertezas e possibilidades

  O resultado final da vitória do PS nos Açores e do PSD no Faial foi o previsto.   Como anteriormente escrevi, faltava perceber se a vitória do PS seria ou não por maioria e o papel de novos e “pequenos” partidos em todo o xadrez político. Já o que não esperava era o mar de incertezas e possibilidades com a perda da maioria absoluta. Quer a sondagem, quer a projeção acertaram no intervalo calculado para todos os partidos…menos no PS, o partido mais votado. O mais votado, mas também o mais prejudicado pela redução de votos e perda de deputados (perde 3 em São Miguel, 1 na Terceira e 1 na compensação). Daqui se constata que a votação em São Miguel foi determinante para o desfecho final. No Faial, o resultado esperado da vitória do PSD, mas com significado prático idêntico: 2 deputados para o PSD e 2 para o PS. Já a análise aos votos permite tirar outras conclusões. Desde logo a redução da abstenção com mais 500 eleitores a votar que em 2016. Comparando com as anteriores legislat

Crónica de uma derrota anunciada

Estamos a um mês das eleições, mas não vou escrever um artigo de opinião a analisar os diferentes argumentos, propostas, candidatos e suas performances nos debates, nem o interesse que será o campeonato dos partidos “pequenos” e eventuais consequências no xadrez politico. Em vez disso, vou debruçar-me sobre algo que julgo premente para o futuro dos Açores. Refiro-me à situação atual do maior partido da oposição, o PSD, um partido fundador da autonomia e com uma importância fundamental para a estabilidade regional e para evitar derivas radicais à direita.  Como já tive oportunidade de escrever anteriormente, o PSD vive um momento que tem tanto de surpreendente, como de dramático, com o atual e os 2 anteriores líderes com processos na justiça. Um dos quais viu-se obrigado a abandonar precocemente a liderança a 1 ano das eleições. Estamos a falar das principais e mais mediáticas figuras do partido dos últimos anos, não se vislumbrando a curto/médio prazo ninguém com equivalente impacto e

Capitalismo e desigualdade

Há cerca de 2 semanas foi amplamente noticiado que a fortuna de Jeff Bezos aumentou 13 mil milhões dólares num único dia. Para o leitor mais distraído, Jeff Bezos é um empreendedor, empresário e investidor, conhecido por ser o fundador e CEO da AMAZON (também é dono ou investidor de largas dezenas de empresas) e por ostentar desde 2017, o título de homem mais rico do mundo, segundo a revista económica Forbes. Bezzos, possui um património a rondar os 190 mil milhões, o maior da história moderna. Colocando as coisas em perspetiva, se o leitor aumentasse o seu património em 200 milhões por ano, o que já seria absurdo, precisava de 950 anos para ter o património de Jeff Bezzos.  Se é verdade que o capitalismo é o sistema do “empreendedor”, também o é que, todo o empreendedor, se tem sucesso, acaba por ter rendimentos sobre o seu capital (no sentido lato do termo), e como tal acumula um património que tenderá a ser herdado e a crescer na geração seguinte. Não só o rendimento sobre o capital

O caminho...

Aproximamo-nos  a passos largos para um dos mome ntos mais importantes da sociedade Açoriano. Refiro-me às eleições legislativas regionais. Um momento que irá apontar o rumo dos Açores para os próximos 4 anos, ao qual acresce a difícil tarefa de ultrapassar a crise provocada pela atual pandemia. Pandemia essa que deixou bem claro a importância de termos um Governo próp rio, o que, por si só deveria ser motivo para incentivar os eleitores a alterar os elevadíssimos valores da abstenção. Vamos ter uma campanha política diferente, sobretudo devido à COVID-19, uma campanha que vai ter que se reinventar. Para além do foco no combate à grave crise económica, decorrente do impacto global do novo coronavírus, um dos temas em destaque será de certeza o novo paradigma ecológico e ambiental. Seria de esperar que fosse o maior partido da oposição a apr esentar serviço, uma vez que inicia a corrida em desvantagem, mas não, foi o PS o primeiro a exibir as suas listas, no passado dia 11, e a dar

Deambulações do dia-a-dia (sociais e políticas) – III

1 - Aristóteles dizia que se não soubéssemos todos os elementos de um assunto não poderíamos ter uma opinião. Hoje, basta um elemento difuso que se “viu na Net” ou se ouviu em conversas de café. Conheço pessoas sem o mínimo conhecimento de economia que têm opiniões firmes sobre a origem da crise. Conheço pessoas sem o mínimo de conhecimento em saúde que têm opiniões firmes no combate à COVID-19 “Isto era muito simples. Fazia-se assim...”  2 – À data que escrevo (7 de junho 2020) os Açores não tem novos casos de COVID-19 há 20 dias e a ilha do Faial há 70 dias. Um número redondo digno de assinalar. Estão de parabéns todos os Açorianos, a Autoridade de Saúde Regional, o Governo Regional e todos os profissionais de saúde envolvidos.  3 – Para comemorar também uma data importante, o dia em que os Açores ficaram sem nenhum caso ativo, o partido que está no poder na Região elaborou um cartaz que levantou alguma celeuma em certos sectores, leia-se, aficionados dos partidos da opos

Confinamento e Desconfinamento

No anterior artigo, referi que compreendi a antecipação e o excesso do zelo das autoridades de saúde nos Açores. Foi importante devido à nossa realidade arquipelágica e a dificuldade em ter uma resposta adequada espalhada por 9 ilhas, mas temos que aprender a viver nesta nova realidade, adaptando à nossa especificidade. Fez-se um bom trabalho na contenção da pandemia. Os números não enganam. À data que escrevo temos sete ilhas sem casos ativos de COVID-19, restando apenas o Pico (1 caso) e São Miguel (8 casos). Nenhum caso necessita de internamento hospitalar e nenhum utente de lar de idosos está infetado.  Ao contrário do resto do país testamos toda a comunidade escolar (professores, alunos e trabalhadores não docentes) e os profissionais das valências de apoio social. Impomos varias opções de quarentena para quem vem do exterior, associada a vários testes, conforme a opção escolhida ou a duração da estadia.  Aliás, se há algo que é claro para todos é a importância de “tes