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Baralha e volta a dar

  A esperada remodelação do Governo viu a luz do dia. Dia 6 de Abril o líder regional do Chega ameaçava que o Governo acabou! Uma semana e meia depois o Governo é remodelado no ponto alto de uma crise sísmico-vulcânica e quando já se fazem sentir os fortes impactos na economia decorrentes da guerra. Apesar de apenas 17 meses de governação, a verdade é que a mudança tardava e já se justificava, tal o tamanho das trapalhadas que têm vindo a público, bem como a inação e falta de perfil de alguns membros do Governo. Não foi espanto para ninguém a saída dos 4 membros em causa. De todos já tinha aqui dado exemplos de falhas graves, se bem que a capitulação do Secretário da Finanças tem um peso político esclarecedor do tamanho da confusão existente. E serve como confirmação de todas as trapalhadas e atropelos que vieram a público nos processos das agendas mobilizadores, orçamentos da Região, bem como do inconcebível atraso de medidas de apoio à economia. Foi constrangedor ver as reportage
Mensagens recentes

Para além da Guerra

Se para este ano as perspetivas já eram desafiadoras, as consequências da guerra na Ucrânia tornam tudo extremamente difícil. Antes já se vivenciava uma subida abrupta da inflação, que pressionava os custos de famílias, empresas e Estados. A pandemia mantém o seu impacto direto e indireto na economia. A seca que alastra no País, com efeitos negativos esperados a curto prazo. E agora temos a guerra entre 2 dos maiores produtores mundiais de cereais e a subida dos combustíveis e do preço da energia, que geraram um acréscimo descontrolado do custo de todas as matérias-primas, principalmente das essenciais para a produção alimentar e que já obriga a racionamentos em Portugal. As sanções económicas que, de um lado e do outro, não param de escalar, e que todos acabaremos por sentir.  São tudo exemplos preocupantes e que vão obrigar aos decisores políticos, uma liderança forte e eficaz, com rápida capacidade de decisão e de implementação de medidas mitigadoras. Tudo aquilo que, infelizmente,

Transportes Aéreos - Onde há fumo há fogo

São vários os exemplos de “fumo” que estamos a presenciar, associados às acessibilidades aéreas e ao Aeroporto da Horta. Se o aumento da pista parecia uma questão de timing e acerto de comparticipações, rapidamente percebemos que verbas regionais são apenas para a elaboração do projeto, e mesmo assim, os valores apresentados em orçamento foram nulos. Mas o pior foi a necessidade de se lançar a hipótese da redução da pista, em vez do seu aumento. O que na altura pareceu um simples disparate por parte da ANA, começa agora a fazer sentido, tendo em conta a possibilidade de ficarmos sem voos para Lisboa por imposição dos acordos de reestruturação da SATA. Deliberadamente afastados de todas estas decisões e jogadas de bastidores têm andado os Faialenses, facto a que não será alheio os 3 momentos eleitorais dos últimos 15 meses. Associado a isto temos o “fumo” dos cancelamentos constantes da SATA para o aeroporto da Horta. Cancelamentos relativamente aos quais é dito que são acordados com em

Um novo ciclo

As eleições legislativas trouxeram um novo ciclo político ao nosso País.  Se o alinhamento final foi para mim o expectável, creio que a maioria absoluta deixou todos surpreendidos.   Já tínhamos percebido que CDU e BE seriam fortemente penalizados por um chumbo do orçamento que foi criticado por cerca de 2/3 da população e cuja culpa lhes era atribuída. Esperada era também a subida do Chega e da IL, muita à custa da erosão do CDS e de uma oposição suave de Rui Rio, constantemente preocupado com lutas internas e a piscar o olho ao eleitorado do centro-esquerda. Apesar do desgaste de 6 anos, as melhorias económicas e sociais dos últimos anos, e a resposta à pandemia, eram sinais fortes que o PS seria o partido mais votado. Restava saber se seria suficiente os votos à esquerda para formar governo, ou se, pelo contrário, a queda de CDU e BE, associada ao forte crescimento da extrema direita, acabariam por colocar o 2º partido mais votado no poder.   E julgo que foi essa possibilidade

Antes viver sujeitos, que ser livre sem pelouro!

O ano de 2021 terminou. Vários foram os acontecimentos relevantes, dos quais destaco: o protelar da Pandemia; eleições antecipadas pelo chumbo do Orçamento; a mudança camarária no Faial; e o primeiro ano do governo de coligação de 3 partidos (PSD, CDS e PPM), dependente de acordos parlamentares com IL, Chega e um deputado independente. A mudança na Câmara da Horta foi o facto político para os Faialenses. Passados 32 anos de poder autárquico socialista, Carlos Ferreira, com a coligação dos 3 partidos que formam o atual Governo, assume a Presidência da Câmara, com uma vitória nos 3 órgãos autárquicos. Com apenas 3 meses de trabalho, não é possível fazer a análise ao mesmo. Mas com mais ou menos verbas por rubrica, com mais ou menos luzes de natal, até agora tudo se mantém aparentemente igual, incluindo até tiques que antes eram motivo de contestação. Curioso é ver os que se indignavam no passado, legitimarem agora idênticas medidas. Quem não parece indignado é o PS-Faial, que aceita a d

Prognósticos só no fim…das eleições!

Simpatizo com o Presidente Marcelo, mas confio pouco.  Penso que Marcelo tem tanto de genuíno como de calculista, não duvido que é genuinamente democrata e preocupado com o País, como é genuinamente populista e eterno criador de factos políticos. Vem isto a propósito da dissolução do Parlamento, em virtude do chumbo do Orçamento de Estado para 2022, efetuado pela direita, com o apoio do PCP e BE. Não foi por falta de aviso do Presidente que se chegou onde chegou, e se me parece óbvio que nem Presidente, Governo ou partidos, desejavam eleições neste momento, cedo se percebeu que, por motivos diferentes, a maioria não ficou verdadeiramente incomodado que se tenha chegado a tal. O mesmo já não se pode dizer da maioria dos eleitores deste país. Existindo visões diferentes para o porquê, a verdade é que aqui chegamos pelo chumbo do BE e do PCP. O verdadeiro dilema do PCP e do BE foi mais ao menos este: Hipótese 1 - Abster-se no Orçamento de Estado por achar que o mesmo não reflete

A Mudança

  Quero começar por parabenizar todos os eleitos na ilha do Faial nas últimas eleições autárquicas, com especial destaque para o grande vencedor, Carlos Ferreira e a coligação de direita que o apoiou.   Desejo a todos que tenham capacidade e sucesso na difícil tarefa que têm pela frente. Não faço parte daqueles que, no passado, passavam atestados públicos de menoridade cívica e intelectual ao eleitorado, por ter um sentido de voto diferente do seu. O Povo decidiu está bem decidido. Uma diferença de 383 votos nas Assembleias de Freguesia, de 540 votos na Câmara Municipal e 799 votos na Assembleia Municipal deram uma vitória em toda a linha à coligação liderada por Carlos Ferreira. Um feito que merece ser assinalado, tendo em conta um passado de 32 anos de poder autárquico socialista no Faial. Há que compreender que 32 anos é muito tempo e em democracia a mudança é salutar. Isto apesar de estarmos a falar de autárquicas, em que mais do que a ideologia partidária, está em causa a pers

Faial – O debate

  Dia 26 de setembro somos todos chamados a exercer nas urnas um dos nossos direitos fundamentais: o de podermos eleger os nossos representantes no poder local. Os representantes dos órgãos autárquicos são os que estão mais próximos das pessoas. São nossos colegas de trabalho, amigos e até familiares. Por isso mesmo sentimos mais estas eleições como projetos de pessoas e menos de partidos. No Faial assumem-se 5 candidaturas autárquicas: a do PS, com a recandidatura do atual Presidente da Câmara, José Leonardo, que concorre a um último mandato; a da CDU, uma vez mais com Paula Decq Mota; a do BE, encabeçada por Aurora Ribeiro, mais conhecida dos faialenses desde as últimas eleições regionais; a do “Juntos pelo Faial”, coligação que agrega o PSD, CDS-PP e PPM, cujo líder é Carlos Ferreira, também repetente nestas andanças; e a do Grupo de cidadãos “Somos Faial”, que se estreia nestas eleições, lista esta encimada por Souto Gonçalves, figura bem conhecido dos Faialenses. Como qualqu

Autárquicas de corpo e alma

Falta 1 mês para as eleições autárquicas. Já são conhecidas as equipas das forças políticas que vão a votos no Faial. Equipas essas que nos lugares elegíveis são constituídas por pessoas competentes e conhecidas da maioria, com especial ênfase para as duas que são candidatas à vitória. As propostas vão aparecendo, a maioria quase idênticas e sem nada de muito surpreendente. Prevêem-se umas eleições fortemente disputadas entre a atual governação autárquica e a coligação de direita de PSD/CDS/PPM. Para o desfecho final muito vai contribuir a prestação dos restantes partidos de oposição, com especial destaque para a CDU e a estreia do grupo de cidadãos SOMOS FAIAL, nomeadamente a sua capacidade de angariar votos e o seu impacto no eleitorado dos principais candidatos. Centremo-nos naqueles que podem ser os vencedores, José Leonado com o PS ou Carlos Ferreira com a Coligação de Direita. O candidato José Leonardo tem o “peso” e o desgaste dos anos de governação, mas tem obra feita (mesmo co

Deambulações Covidianas (em tempo de férias)

Um mar vermelho com muitos números. É isto que aparece quando, na RTP-Açores, vemos o mapa dos Açores com os casos de COVID-19. Passados quase 17 meses do início da pandemia, temos mais de 500 casos ativos e a singularidade de termos todas as ilhas com vários casos, excetuando o Corvo. Milhares de pessoas em isolamento profilático por terem contactado com casos positivos, provocando transtorno familiar, profissional e económico. Duas ilhas, pela primeira vez, com transmissão comunitária, ilhas essas que representam 80% da população dos Açores. Ilhas com a teórica “imunidade de grupo” com utentes graves transferidos para ilhas com Hospital. Os três hospitais da Região com doentes internados e três óbitos em menos de 1 semana. E tudo isto com vacinas e sem estarmos a testar um grupo considerável de pessoas que já tem o chamado “certificado digital”. Não tenho dúvidas em afirmar que os casos reais são consideravelmente maiores, mas a verdade é que já estamos todos saturados deste tema… Fe

Sei o que fizeste nos Verões passados…

O verão aproxima-se e os dados positivos da pandemia, em pelo menos 8 das 9 ilhas, associados ao crescimento acentuado do n.º de vacinados, apontam para um regresso da normalidade no que à economia do turismo diz respeito. O crescimento de dormidas e passageiros, principalmente provenientes do Continente e uma marina/porto a transbordar de barcos, assim o comprovam. As filas crescentes nos locais de testagem na nossa ilha e os comentários de empresários do turismo indicam que estamos a viver um tempo de retoma. Há poucos dias, uma reportagem da RTP-Açores fez eco disso mesmo, onde foi possível ver vários empresários Faialenses a falar de valores muito próximos ou idênticos a 2019 (pré-pandemia) e que, recordo, foi o ano com melhores indicadores para o turismo no Faial. Uma escapadinha de fim-de-semana à ilha do Pico também me permitiu constatar a retoma de turistas, claramente visível nos restaurantes. Todos os que frequentei se encontravam-se à pinha e assisti a várias recusas. Em con

Um pequeno grande acontecimento

Passo a passo, as Autárquicas tomam o devido destaque na opinião pública Açoriana. Pelo Faial, os 2 maiores partidos já apresentaram os seus candidatos, José Leonardo pelo PS e Carlos Ferreira pelo PSD. Se a eles somarmos os óbvios candidatos do BE e CDU, chegamos à simples conclusão que nada mudou em 4 anos. Se no caso de quem vence é normal, já no que toca a quem perde é sinal de falta de vitalidade interna. Quanto ao PS, não é difícil de prever uma técnica conservadora, sem grandes alterações nos lugares elegíveis à Câmara, ficando a lista entregue a nomes que já lá estão ou com tarimba em cargos de eleição/nomeação. Estando o CDS e PPM coligados ao PSD, e não tendo a IL qualquer implementação no Faial, fica a faltar saber o que fará o CHEGA no espetro da caranguejola de direita que governa os Açores. Sendo fácil perceber que, ou apresenta um candidato medíocre na esperança de votos de fanáticos desatentos que pensam estar a votar em Ventura, ou apoia de algum modo a coligação de di

Tiros certeiros com pólvora seca

Era com alguma curiosidade que aguardava pelo Plano e Orçamento do novo Governo Regional. Não só para verificar eventuais novidades provenientes de novos protagonistas e novas ideias, mas sobretudo para verificar a capacidade de saciar a multiplicidade de vontades das diferentes forças políticas que apoiam o governo e a capacidade de revindicação das diferentes ilhas. Ora, o Plano e Orçamento para 2021, como os anteriores, tem medidas que claramente são boas e outras menos boas, mas quero aqui debruçar-me sobre as que incidem exclusivamente sobre a Ilha do Faial. Sendo certo que “Roma e Pavia não se fizeram num dia”, julgo que a maioria dos Faialenses aguardava um sinal claro para a nossa ilha no novo Plano e Orçamento: 1 º porque a ilha do Faial foi a única onde o PSD ganhou eleições; 2º porque durante anos o PSD sempre criticou ferozmente o atraso de importantes investimentos para o Faial; 3º porque as Autárquicas estão próximas e seria importante tentar demarcar diferenças. Quanto a

ASTRAZENECA e a irresponsabilidade dos decisores políticos europeus

Aquando da suspensão da vacina AstraZeneca em diversos países europeus, escrevi um texto nas redes sociais que aqui reproduzo. Foram reportados 30 a 50 casos duvidosos de eventos tromboembólicos em 17 milhões de inoculações com a vacina AstraZeneca e faz-se uma "pausa" na vacina em plena Pandemia! Foi confrangedor ver alguns países de manhã a referir claramente que não existe evidência que a causa seja da vacina ou que os benefícios são imensamente superiores aos riscos, e à tarde, de forma leviana, suspenderem a vacina. Uma decisão puramente política (e provavelmente económica) e com zero de evidência científica. Os raros e graves sintomas adversos registados são comuns na população em geral e inclusive maior do que na população vacinada. É esperado que 1 em 1000 pessoas por ano sofra um evento tromboembólico. Obviamente que é necessário apurar o sucedido e continuar a avaliar, como em qualquer medicamento, mas o problema está neste aparato, nos motivos e nas suas consequênc

A política é a busca constante da nobreza na dissimulação

Nos EUA desenvolveu-se a tradição de os primeiros 100 dias de governação serem usados para fazer as primeiras análises ao trabalho desenvolvido. Tal ficou a dever-se a Franklin Roosevelt no decorrer da Grande Depressão. Desde esse tempo que, por todo o mundo, os 100 dias passaram a ser referência na avaliação de uma nova liderança. Vivemos atualmente tempos conturbados, com a crise pandémica e a crise económica e social a ela associada. Em função disso, a ação do novo governo esteve focada na pandemia. E daí ressalta aquela que foi a cara do Governo neste período, o Secretário Regional da Saúde. Quem por estes tempos chegasse aos Açores, ficaria com a impressão que estávamos perante o responsável pelo Governo. Depois de um início em que teve dificuldade em deixar o registo de ex-líder parlamentar, vocacionado para o combate político, com o tempo, centrou-se na azáfama do seu cargo e tem desenvolvido um trabalho incansável e com bons resultados. Com prova de ação estiveram também os mem

É TEMPO DOS FAIALENSES LEVAREM A SÉRIO A COVID-19

Temos vivenciado uma anestesia geral pelo Faial, ancorada numa falsa sensação de segurança, enquanto assistimos a um escalar sem precedentes de casos no nosso País e por todo o lado. Talvez desconhecendo o quão fácil é ficarmos com fortes limitações na capacidade de resposta a doentes COVID e não COVID. Talvez esquecendo as nossas especificidades arquipelágicas e de isolamento no meio do Atlântico. Talvez esquecendo as características de propagação do vírus. A verdade é que a situação mudou drasticamente depois do Natal e não podemos viver isolados. É preciso ter sempre em mente a vinda constante e necessária de pessoas por diversos motivos, desde profissionais, familiares, bem como a saída de residentes por motivos de saúde, situações essas em que acabamos sempre por estar expostos. Acresce o facto de estarmos no momento mais crítico da pandemia e com o encerramento das aulas no Continente, muitos estudantes estão a regressar. Com o confinamento no Continente e obrigação de teletrabal

Igualdade e (in)Justiça Social

A um novo Governo é preciso dar o respetivo tempo para avaliar o resultado das suas políticas, mas podemos opinar construtivamente sobre as suas propostas. Não existindo ainda um Plano e Orçamento, só nos podemos debruçar sobre o Programa do Governo e a sua Orgânica, ou seja, a sua visão de futuro. Destaco 4 pontos que ficaram na memória.  1- Redução das passagens inter-ilhas.  O Secretário dos Transportes veio confirmar a aplicação de uma tarifa de 60€ para viagens inter-ilhas. Esta é daquelas medidas que qualquer Açoriano gosta de ouvir. Afirmou que “"É possível menor preço de viagens inter-ilhas sem agravar as contas da SATA" e explicou com palavras caras e vagas como seria possível. Traduzo para o Açoriano comum compreender:  "É possível menor preço nas viagens sem agravar as contas da SATA", basta colocar mais dinheiro dos contribuintes na transportadora como fonte de receita, reduzir a despesa com os trabalhadores/salários e reduzir as rotas/voos, nomeadamente

ALÉM DO ÓBVIO

Passado 1 mês das eleições temos um governo que finalmente tomou posse. Um governo que é o maior da nossa história democrática e um dos mais partidários de sempre. O que não deixa de ser curioso para quem defendia a despartidarização e redução de cargos.  Mas mais do que a mudança de governo, que dá vida à democracia, o que causou fortes ondas de choque no nosso País, foi o crucial apoio do Chega, consubstanciado pela legitimação feita pelo PSD um partido de extrema-direita populista.   Bem sei que alguns tendem a desvalorizar esta situação, mas quem assim procede claramente não consegue ver para além do óbvio.  Felizmente que destacados militantes do PSD e CDS, bem como proeminentes figuras de direita, quiseram delinear uma inequívoca separação do que se passou nos Açores. Felizmente que militantes da direção do PSD sentiram a necessidade de referir na comunicação social que o Chega é um partido xenófobo, racista e extremista, entre muitas outras coisas a que estão associados.  Vamos