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A mostrar mensagens com a etiqueta política

Antes e Depois

  Antes das eleições, o Faial era uma ilha em estado de urgência permanente. Falava-se, finalmente, do que realmente importa: o Aeroporto da Horta — permanentemente com limitações e que continua a ostentar o título de “internacional” apesar de mal conseguir ver aviões levantar voo com todos os passageiros e respetiva bagagem — e do Porto da Horta, esse gigante adormecido que já teve mais importância do que hoje, mas que parece condenado ao esquecimento, enquanto a chamada economia azul vai ficando por rascunhos e intenções. Durante semanas, os grandes temas fizeram manchetes e renderam minutos na televisão. Durante semanas, os temas foram debatidos, prometidos e re-prometidos. Fizeram-se vídeos, visitaram-se locais, anunciaram-se milhões para estes dois investimentos estruturantes para o futuro da ilha e a sua ligação ao mundo . Tudo era estrutural, tudo era urgente. As eleições estavam à porta — e os Faialenses, fartos de esperar por vez, responderam com o voto, penalizando q...

Antes viver sujeitos, que ser livre sem pelouro!

O ano de 2021 terminou. Vários foram os acontecimentos relevantes, dos quais destaco: o protelar da Pandemia; eleições antecipadas pelo chumbo do Orçamento; a mudança camarária no Faial; e o primeiro ano do governo de coligação de 3 partidos (PSD, CDS e PPM), dependente de acordos parlamentares com IL, Chega e um deputado independente. A mudança na Câmara da Horta foi o facto político para os Faialenses. Passados 32 anos de poder autárquico socialista, Carlos Ferreira, com a coligação dos 3 partidos que formam o atual Governo, assume a Presidência da Câmara, com uma vitória nos 3 órgãos autárquicos. Com apenas 3 meses de trabalho, não é possível fazer a análise ao mesmo. Mas com mais ou menos verbas por rubrica, com mais ou menos luzes de natal, até agora tudo se mantém aparentemente igual, incluindo até tiques que antes eram motivo de contestação. Curioso é ver os que se indignavam no passado, legitimarem agora idênticas medidas. Quem não parece indignado é o PS-Faial, que aceita a d...

Faial – O debate

  Dia 26 de setembro somos todos chamados a exercer nas urnas um dos nossos direitos fundamentais: o de podermos eleger os nossos representantes no poder local. Os representantes dos órgãos autárquicos são os que estão mais próximos das pessoas. São nossos colegas de trabalho, amigos e até familiares. Por isso mesmo sentimos mais estas eleições como projetos de pessoas e menos de partidos. No Faial assumem-se 5 candidaturas autárquicas: a do PS, com a recandidatura do atual Presidente da Câmara, José Leonardo, que concorre a um último mandato; a da CDU, uma vez mais com Paula Decq Mota; a do BE, encabeçada por Aurora Ribeiro, mais conhecida dos faialenses desde as últimas eleições regionais; a do “Juntos pelo Faial”, coligação que agrega o PSD, CDS-PP e PPM, cujo líder é Carlos Ferreira, também repetente nestas andanças; e a do Grupo de cidadãos “Somos Faial”, que se estreia nestas eleições, lista esta encimada por Souto Gonçalves, figura bem conhecido dos Faialenses. Como qu...

A política é a busca constante da nobreza na dissimulação

Nos EUA desenvolveu-se a tradição de os primeiros 100 dias de governação serem usados para fazer as primeiras análises ao trabalho desenvolvido. Tal ficou a dever-se a Franklin Roosevelt no decorrer da Grande Depressão. Desde esse tempo que, por todo o mundo, os 100 dias passaram a ser referência na avaliação de uma nova liderança. Vivemos atualmente tempos conturbados, com a crise pandémica e a crise económica e social a ela associada. Em função disso, a ação do novo governo esteve focada na pandemia. E daí ressalta aquela que foi a cara do Governo neste período, o Secretário Regional da Saúde. Quem por estes tempos chegasse aos Açores, ficaria com a impressão que estávamos perante o responsável pelo Governo. Depois de um início em que teve dificuldade em deixar o registo de ex-líder parlamentar, vocacionado para o combate político, com o tempo, centrou-se na azáfama do seu cargo e tem desenvolvido um trabalho incansável e com bons resultados. Com prova de ação estiveram também os mem...

Deambulações do dia-a-dia (sociais e políticas) – III

1 - Aristóteles dizia que se não soubéssemos todos os elementos de um assunto não poderíamos ter uma opinião. Hoje, basta um elemento difuso que se “viu na Net” ou se ouviu em conversas de café. Conheço pessoas sem o mínimo conhecimento de economia que têm opiniões firmes sobre a origem da crise. Conheço pessoas sem o mínimo de conhecimento em saúde que têm opiniões firmes no combate à COVID-19 “Isto era muito simples. Fazia-se assim...”  2 – À data que escrevo (7 de junho 2020) os Açores não tem novos casos de COVID-19 há 20 dias e a ilha do Faial há 70 dias. Um número redondo digno de assinalar. Estão de parabéns todos os Açorianos, a Autoridade de Saúde Regional, o Governo Regional e todos os profissionais de saúde envolvidos.  3 – Para comemorar também uma data importante, o dia em que os Açores ficaram sem nenhum caso ativo, o partido que está no poder na Região elaborou um cartaz que levantou alguma celeuma em certos sectores, leia-se, aficionados dos partido...

A democracia é o pior dos sistemas, à exceção de todos os outros

Dizer que os políticos são todos iguais, fomentar a divisão entre o “eles” e o “nós”, ter e promover uma aversão à política é a receita da extrema-direita populista. Exemplos não faltam, e o pior é que, em todos os quadrantes, começa a florescer este tipo de ações para manipular os sentimentos do eleitorado na conquista fácil do voto.  Seria bom que todos percebessem que os políticos mais não são que o espelho da sociedade.  Pensei em escrever um apelo ao voto, não num determinado sentido, mas no âmbito do combate à abstenção. Mudei de ideias. Prefiro que os desinteressados, os desinformados, os leitores assíduos de Fake News e patológicos adeptos da sua partilha, os demagógicos e populistas, os saudosistas do antigo regime e outros que tais, se abstenham de influenciar o meu futuro.  A abstenção é um problema crescente nas democracias em geral, mas discordo de soluções simplistas que proliferam por aí.  Discordo frontalmente das teorias de associar ...

Deambulações do dia-a-dia (sociais e políticas)

1 - Sais de manhã, trabalhas, vais almoçar ao bar num ápice. Uma senhora de idade, sentada ao teu lado, olha para a televisão e começa a falar contigo sobre o que se passa lá. Atiras uma frase. Ela insiste. Estás com pressa mas falas com ela sobre o assunto da televisão. A seguir, ela conta-te as suas aflições. Tu tens pressa, mas não queres ser indelicado. Cedes a ouvi-la: os problemas de saúde, os filhos, o dinheiro, um vizinho que põe a música altíssima.  Lembras-te de Eça procurando apaziguar o espanto: "O que não contas ao teu amigo conta-o a um estranho, na estalagem".  2 – Passados 7 anos e 3 meses, as três principais agências de rating colocam a dívida portuguesa no grau de investimento de qualidade.  Fica para a história que foi no governo liderado por António Costa que as agências de rating retiraram a dívida pública de Portugal do LIXO. Um governo do PS, com o apoio de PCP, BE e Verdes, a apelidada esquerda radical, que ia afugentar invest...

Rentrée

1 - Agosto já passou, e com ele o período de férias para a maioria dos portugueses. Na chamada silly season os temas do dia-a-dia foram praticamente os mesmos, exceção feita à novela de um tresloucado ex-presidente de um clube de futebol, que felizmente parece que já não tem o tempo de antena que, de uma maneira absurda, lhe era facultado. Tivemos os habituais incêndios de verão, mas 2018 é dos anos com menor área ardida em Portugal, com menos danos e sem vítimas mortais a lamentar. Tivemos também o Presidente da Republica a banhos, seguido por câmaras de TV e muitos telemóveis à procura das ”marselfies”, os prognósticos sobre o próximo de Orçamento de Estado, bem como as contratações e saídas dos clubes de futebol.  2 - No Faial a conversa de sempre sobre a Semana do Mar, que ano após ano termina com nota positiva, refrescada este ano pela novidade dos copos reutilizáveis, que inicialmente levantaram algumas dúvidas, mas que terminou com a aceitação e aclamação pela l...

Abstenção e desconhecimento da realidade dos Açores

Não me vou debruçar nestas linhas sobre o resultado (já esperado) das últimas eleições Regionais. Já tudo foi dito sobre a vitória clara do PS por maioria absoluta, da sondagem e da abstenção. Já foi também explanado, a nível local, a mudança de cor política na ilha do Faial, que não se consubstancia na subida do PSD, que na prática manteve o mesmo número de votos de 2012, eleição que então perdeu no Faial, mas sim pela perda de 919 votos do PS, nomeadamente para a abstenção (+332), BE (+265) e CDS (+227). Na realidade o foco da questão é outro, a abstenção registada, mas no ponto de vista das justificações difundidas na comunicação social do Continente, que tanta indignação causaram em muitos Açorianos, que não se coibiram de efusivamente o demonstrar nas redes sociais.  Vou-me cingir aos 2 casos mais mediáticos. O excerto da intervenção na SIC-Notícias, do conhecido comentador de assuntos políticos, Luís Delgado, sobre os valores recorde de abstenção nos Açores e a crónica...