Em Portugal, existe um paradoxo profundo nas expectativas da sociedade relativamente aos funcionários públicos. Às segundas, quartas e sextas, exige-se mais presença policial nas ruas, mais profissionais de saúde nos hospitais, mais professores e assistentes operacionais nas escolas e em diversos outros sectores da administração pública. Porém, às terças, quintas e sábados, a mesma voz pública reclama que há funcionários públicos a mais. Esta duplicidade revela um preconceito enraizado e uma incompreensão sobre o papel essencial do serviço público no funcionamento de uma nação. Este preconceito não é novo, mas foi fortemente reforçado durante o governo de Passos Coelho e Paulo Portas. Naquela altura, popularizou-se a ideia de que os funcionários públicos eram sinónimo de ineficiência, e que o setor privado era o único capaz de oferecer serviços de qualidade. Esta visão não só ignora a complexidade do trabalho no setor público, como também esconde os interesses políticos por detrás de...
Para arquivar e tornar acessível os meus artigos de opinião na imprensa. Periodicidade: quinzenal (pelo menos tento!)