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Um dia negro para os Açores

O infeliz episódio de não existência de um candidato dos Açores na lista do PSD às eleições europeias foi uma desconsideração a todos os Açorianos, por mais diferentes que sejam as suas opiniões ideológicas. Um episódio negro que irá ficar perpetuado na vida política Açoriana e que desejamos que não seja repetido por nenhum partido com a dimensão e importância do PSD a nível nacional e em particular na autonomia regional. 

Mais do que uma vergonha para o PSD-Açores de Alexandre Gaudêncio e para Mota Amaral é uma ofensa à Região Autónoma dos Açores, perpetuado pelo PSD de Rui Rio.

Pela primeira vez em 30 anos os Açores não vão ter um candidato pelo PSD ao Parlamento Europeu, restando apenas um único deputado em lugar elegível, do partido que suporta o Governo. 

Fica assim claro a visão centralista e anti-Açores do atual PSD.

Fica assim claro o peso político do PSD-Açores de Alexandre Gaudêncio, que cada vez mais tende para zero e que é visto como persona non grata pela direção nacional.

Fica assim clara o desrespeito a um dos maiores vultos da política Açoriana, que não se devia ter posto a jeito para esta humilhação e não merecia sair do palco político e mediático da pior maneira possível.

Perdem os Açorianos um representante no maior partido europeu (PEE), perdem uma voz na Europa para negociar os fundos comunitários e defender os Açores, uma voz conhecedora da nossa realidade e especificidade, mas perdem também um partido de oposição capaz de ser alternativa. Porque um líder que nem consegue “levar água ao seu moinho” no partido, dificilmente terá capacidade de o fazer para os Açores.

Com que cara o PSD-Açores em Maio não apela ao voto no PSD de Rui Rio para as Europeias, para depois em Outubro apelar ao voto no mesmo PSD de Rui Rio para as legislativas nacionais?

Vão apelar ao voto em alguém que, aquando da visita em campanha interna, afirmou que manteria a tradição de haver um candidato dos Açores em posição elegível para o Parlamento Europeu? De alguém que ainda esta semana desconsiderou o voto dos Açorianos, referindo que vale pouco e que “não é uma fortuna”?
O enxovalho tomou proporções inqualificáveis quando ouvimos pela voz do próprio Rui Rio que não precisamos de candidato em lugar elegível, que para substituir Mota Amaral como representante dos Açores, basta que a candidata da Madeira coloque um assessor dos Açores no seu gabinete no Parlamento Europeu! 

Depois desta derrota humilhante, resta ao fragilizado Gaudêncio a posição dúbia de, enquanto líder do PSD-Açores, bater o pé ao próprio partido e esperar por mais duas (previsíveis) derrotas do PSD na sua liderança, nas Europeias e nas Legislativas nacionais. Esperando que as mesmas sejam esmagadoras, mas que não causem muito desgaste a nível regional, fazendo assim com que Rui Rio abandone o partido.

Ao líder regional do PSD de pouco serviu a justificação atabalhoada e as frases feitas de “Antes morrer livres do que em paz sujeitos” e “Primeiro os Açores e depois o partido”. Porque quem é livre não se esconde e manda intermediários anunciar a posição oficial do partido relativamente às eleições Europeias. Não defende uma orientação política que aposta na renovação e depois escolhe como candidato o militante com mais anos na política e com quase 80 anos de idade.

Estou certo que os Açorianos saberão responder a tanta desconsideração, mas a um líder que afirma colocar os Açores à frente do partido, não bastava dizer que não ia fazer campanha, dava uma clara indicação de voto de protesto aos militantes, a bem da representação dos Açores na Europa e de modo a que este triste episódio não se repita.

É público que não me identifico com a ideologia do PSD, mas também sei que só uma oposição forte faz um melhor Governo e só uma oposição forte serve como alternativa credível. E está visto que ela ainda não existe nos Açores…



(Lançamento do livro do Dr Mota Amaral 28/03/2019 - Quando uma imagem vale mais do que mil palavras....)

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