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É TEMPO DOS FAIALENSES LEVAREM A SÉRIO A COVID-19

Temos vivenciado uma anestesia geral pelo Faial, ancorada numa falsa sensação de segurança, enquanto assistimos a um escalar sem precedentes de casos no nosso País e por todo o lado.
Talvez desconhecendo o quão fácil é ficarmos com fortes limitações na capacidade de resposta a doentes COVID e não COVID. Talvez esquecendo as nossas especificidades arquipelágicas e de isolamento no meio do Atlântico. Talvez esquecendo as características de propagação do vírus.
A verdade é que a situação mudou drasticamente depois do Natal e não podemos viver isolados. É preciso ter sempre em mente a vinda constante e necessária de pessoas por diversos motivos, desde profissionais, familiares, bem como a saída de residentes por motivos de saúde, situações essas em que acabamos sempre por estar expostos.
Acresce o facto de estarmos no momento mais crítico da pandemia e com o encerramento das aulas no Continente, muitos estudantes estão a regressar.
Com o confinamento no Continente e obrigação de teletrabalho, estão a regressar muitas pessoas com família na ilha, à procura de maior liberdade e segurança. Inclusive os que não são de cá, e com o intuito de "fugir" às regras do confinamento, aproveitam para vir para os Açores passar uma temporada.
Vejo muita gente preocupar-se apenas com quem vem de fora, de ter que ficar em casa à espera do teste do 6º dia, mas esquecem-se que mesmo em casa (com mais ou menos cuidados), na maioria das vezes estão em contacto com familiares, que vão depois para o trabalho ou escola e, por sua vez, convivem com colegas, família e amigos, na maioria das vezes sem máscara, com a tal sensação de segurança. É aqui que verdadeiramente pode estar o problema, na transmissão na família e no trabalho, e não tanto num pequeno passeio pela rua, com máscara e distanciamento social, de quem ainda não fez o teste do 6º dia.
É bom não esquecer que não existe risco zero. Que o período de incubação é calculado para um valor de 5-6 dias, mas a escala exata vai até 14 dias. Temos que levar em frente as nossas vidas, sem medo e com tranquilidade, mas sempre com as devidas medidas de proteção.
Ao contrário do Continente, os meses de Fevereiro e Março são, por regra, os meses com maior pressão no Hospital da Horta e a verdade é que não temos ainda nenhum profissional vacinado…
Se a coisa complicar, como era e continua a ser espectável, passaremos a ver nas redes sociais o "Deus nos ajude"…mas o que precisamos é que todos ajudem, protegendo-se a si e aos outros, seguindo todas as regras com a seriedade que o momento exige.
Termino apelando à não descriminação a quem testa positivo para a COVID-19, respeitando a sua privacidade e ajudando no que for possível.
Nunca esquecendo que amanhã também nos poderá bater à porta.

25/01/2021

(artigo publicado na edição de 29/01/201 do Tribuna das Ilhas) 

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